A Cimed parece ter decifrado um código que muitas gigantes do setor farmacêutico ainda tentam entender: no mercado atual, atenção vale tanto quanto a patente de um remédio. A notícia de que Thiago “Toguro” assume a liderança de comunicação da companhia não é apenas uma contratação de RH, é um movimento de xadrez que embaralha as fronteiras entre o corporativo e o viral.
"Para quem vê de fora, pode parecer estranho. O que um influenciador que ficou famoso por memes e pela 'Mansão Maromba' tem a ensinar para uma das maiores farmacêuticas do país? A resposta está nos números — e na agilidade."
O fim da comunicação "engravatada"
Historicamente, o setor farmacêutico sempre foi sisudo, pautado por regulamentações rígidas e uma linguagem técnica. Mas a Cimed, sob o comando de João Adibe, vem chutando essa porta há algum tempo. A estratégia é clara: humanizar a marca a ponto de ela se tornar parte da conversa no churrasco ou no treino da academia.
Toguro chega com o "pé no chão", como ele mesmo definiu, mas traz na bagagem o fenômeno do "sabor energético". Sua capacidade de transformar um produto simples — uma bebida de whisky com aroma de energético — em um bordão nacional é o tipo de "mágica" que o marketing tradicional custa a replicar.
Do meme ao PDV: O fenômeno Carmed e a Linha Urso
Não dá para ignorar que essa movimentação acontece em um momento estratégico. A Cimed iniciou 2026 com o pé no acelerador, lançando a marca Urso para bater de frente no mercado de nutrição esportiva e wellness. Ter Toguro como Head de Comunicação é colocar um especialista em "comunidade" para falar diretamente com o público que consome whey protein e creatina como se fosse arroz e feijão.
Além disso, os boatos de uma colaboração entre a linha de hidratantes labiais Carmed e a Mansão Maromba já circulam. Se isso se concretizar, veremos o encontro inusitado entre o público jovem que coleciona hidratantes e a audiência fiel do mundo fitness. É o crossover que ninguém pediu, mas que provavelmente vai esgotar nas farmácias em questão de horas.
O risco e a recompensa
Claro, o movimento tem seus riscos. Trazer uma figura tão polarizadora e espontânea para o centro da estratégia de uma farmacêutica exige um estômago que poucas diretorias têm. No entanto, a Cimed já provou que prefere o barulho do engajamento ao silêncio do conservadorismo.
Resta saber se a "linguagem das ruas" de Toguro vai conseguir navegar pelo complexo compliance do setor de saúde sem perder a essência que o tornou um gigante das redes. Se der certo, a Cimed não estará apenas vendendo vitaminas ou cremes; ela estará ditando como as marcas brasileiras devem se comunicar daqui para frente: com menos roteiro e mais realidade.