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EMS adquire Medley e consolida liderança: Operação de R$ 3 bilhões transforma laboratório na maior farmacêutica nacional

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Categoria Mercado Farmacêutico
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Indústria farmacêutica e produção de medicamentos

A EMS confirmou na última sexta-feira a compra da Medley, divisão de genéricos da multinacional francesa Sanofi, em uma transação que promete redesenhar o mapa da indústria farmacêutica brasileira.

O negócio, cujo valor não foi oficialmente divulgado pelo laboratório controlado por Carlos Sanchez, teria superado a casa dos US$ 600 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,1 bilhões, segundo apurações de mercado.

"A cifra ficou abaixo das expectativas iniciais do processo de venda, que chegaram a projetar um valuation próximo de US$ 1 bilhão, mas ultrapassou o piso mínimo de US$ 500 milhões estabelecido pela Sanofi como condição para avançar com a operação."

A maior parte dos recursos virá do próprio caixa da EMS, com cerca de 25% financiados por instituições bancárias. A conclusão do negócio veio após meses de disputa acirrada entre pelo menos oito pretendentes de peso, entre eles a Hypera, o Aché, a Biolab, a gestora Vinci Partners e a indiana Sun Pharma.

A Sanofi comunicou a escolha da EMS aos demais interessados por meio de uma teleconferência realizada na manhã de sexta-feira, antes da coletiva de imprensa convocada pelo grupo vencedor.

O Peso de um Gigante: Marcas e Instalações Mantidas

Com a incorporação da Medley, a EMS passa a deter uma fatia estimada em 31% do mercado brasileiro de genéricos. Marcus Sanchez, vice-presidente da companhia, ressaltou que a operação não implica a extinção de nenhuma das duas marcas. Pelo contrário, ambas seguirão ativas e com equipes comerciais distintas.

"Não deixaremos de ter uma marca em prol de outra", garantiu o executivo durante a apresentação.

  • Parque Industrial Intacto: A integração abrange os ativos industriais da Medley, incluindo a gigantesca fábrica localizada em Campinas (SP).
  • Plano de Expansão: A EMS sinalizou que as instalações adquiridas poderão ser incorporadas ao seu plano de expansão, que prevê investimentos superiores a R$ 1 bilhão.
  • Vantagem Tributária: A unidade de Manaus deve permanecer em operação, mantendo os valiosos benefícios fiscais proporcionados pela Zona Franca.
  • Capital Humano: Todos os cerca de 900 funcionários da Medley serão absorvidos pelo grupo.

O que Dizem os Especialistas do Setor?

Até que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) conclua a análise do processo — prevista para ainda este ano — a gestão da divisão adquirida permanecerá autônoma, respondendo provisoriamente à estrutura da Sanofi Brasil.

Para especialistas do setor, o movimento marca uma virada estrutural na indústria. André Reis, CEO da Repfarma e analista farmacêutico, aponta que a soma do faturamento da Medley (em torno de R$ 2,5 bilhões anuais) à receita do Grupo EMS (que já supera R$ 11 bilhões), ampliará de forma expressiva a distância entre o líder e seus concorrentes mais próximos.

A vantagem da EMS sobre a Hypera, atual segunda colocada no ranking, chegaria a impressionantes R$ 3,4 bilhões — valor equivalente a metade do faturamento total do Aché. "O Grupo EMS se torna uma superfarmacêutica nacional", resumiu Reis.

A Estratégia de Reposicionamento da Sanofi

Do lado da Sanofi, a venda não é um recuo, mas integra uma estratégia global de reposicionamento. A multinacional francesa vem se desfazendo de ativos ligados a medicamentos genéricos desde 2018, tanto na Europa quanto na América do Sul.

O objetivo é concentrar esforços e capital no desenvolvimento de biofarmacêuticos de alta complexidade e vacinas. Fernando Sampaio, presidente da Sanofi Brasil, afirmou que a companhia reconhece o valor construído pela Medley ao longo de décadas e que confia na capacidade da EMS de dar continuidade ao crescimento da marca no país.